Os peões curdos

Já repararam na dramática situação do território entre a Turquia, o Iraque e o Irão?

Não? Claro que não, ninguém fala disso.

A guerra curda é uma guerra esquecida e não é um caso. O Iraque tem outros problemas; o mesmo passa-se com o Irão.
A Turquia não quer divulgar uma situação decididamente incomoda enquanto que Israel quer que tudo fique escondido para poder utilizar este conflito para os próprios fins.

O silêncio é total acerca duma guerra que desde o começo matou cerca de 40.000 pessoas (de ambos os lados) e destruiu perto de 4.000 aldeias.

A povo curdo e o seu braço armado, o PKK (Partiya Karkerên Kurdistan, Partido dos Trabalhadores do Curdistão) são peões, nada mais do que isso: peões num jogo bem maior.

Estratégia de tensão contra a Turquia

Estamos perante uma guerra, de baixa intensidade mas sangrenta, que parece não atrair o interesse da maioria dos principais meios de comunicação ocidentais: a guerra que envolve a região fronteiriça entre a Turquia e o Iraque, dum lado e do outro, com atentados terroristas e bombardeamentos.

No último fim de semana, 12 soldados turcos foram mortos: nos mesmos dias um míssil lançado por terroristas em Iskenderun causou sete mortes entre os marinheiros da base naval. Bombardeamentos turcos sobre as bases do PKK no norte do Iraque causaram dezenas de mortes.

Desde o final do inverno aumentaram os ataques terroristas do PKK, que agora ameaça indiscriminadamente todas as cidades da Turquia: esta a resposta perante as aberturas de expressas pelo governo de Ancara sobre a questão curda.

Qual é o sentido de tudo isso? Os grandes media ocidental não falam do facto que esta é uma verdadeira guerra subterrânea contra a Turquia, uma campanha desestabilizadora que visa criar cada vez mais dificuldades e, finalmente, derrubar o seu legítimo governo.

O PKK, como alguns analistas turcos defendem abertamente (entre os últimos Nurullah Aydın, da Ankara University, e Sedat Laçiner, do International Strategic Research Organization) e como mostra o depoimento de vários guerrilheiros capturados, é de facto gerido por oficiais da inteligência israelita presentes em grande número no norte do Iraque, em actividade há mais de uma década também contra a secção iraniana (o PJAK) do movimento terrorista. Significativa neste sentido é a declaração do líder histórico do PKK, Ocalan (detido nas prisões turcas) segundo a qual já não é o chefe da organização.

Vamos ver agora nos Estados Unidos para ler nas notícias destes dias alguns passos da campanha de desestabilização contra Ankara.

Durante uma conferência de imprensa, membros do Congresso tanto republicanos quanto democratas criticaram a Turquia, membro da Nato, para ter apoiado a frota humanitárias que tentou forçar o bloqueio israelita em Gaza e não ter apoiado as sanções decididas pelo Conselho de Segurança contra o Irão.

O democrata Eliot Engel definiu estes dois pontos de vista “escandalosos”.

O número três dos republicanos na Câmara dos Deputados, Mike Pence, argumentou que “se a Turquia está tão próxima do Irão e hostil a Israel, vai sofrer as consequências”, e afirmou também estar disposto a reconsiderar a própria posição sobre a resolução do Congresso (actualmente “congelada” mas sempre uma ameaça incumbente) acerca do “genocídio arménio”.

“Estou convencido de que o sangue dos mortos da Mavi Marmara é de responsabilidade dos turcos”, afirmou o deputado republicano Peter King, enquanto a democrata Shelley Berkley, advertiu que “a Turquia não merece ser um membro da Comunidade Europeia, pois tem uma atitude mais semelhante ao Irão do que uma nação europeia.”

Os parlamentares democratas deNew York Carolyn Maloney, Christine Quinn e Charles Rangers, lutam para que os dois provocadores da Mavi Marmara – Ahmet Faruk Unsal e Kevin Ovenden – sejam proibido de visitar os Estados Unidos para trazer o próprio testemunho sobre o que aconteceu durante o trágico ataque israelita; por outro lado, disse o democrata Jerrold Nadler, “o IHH, a organização que preparou a frota, é conhecida há muito tempo por causa das suas ligações com organizações terroristas como o Hamas e a Al Quaida [tinha que entrar Al Quaida de qualquer forma, NDT]. E a responsabilidade do nosso governo garantir que os terroristas e os seus simpatizantes não tenham permissão para entrar nos Estados Unidos. “

Estes não são posições isoladas ou minoritárias: o senador Joe Biden, Vice presidente americano, tinha prontamente afirmado “o direito de Israel a intervir” no caso da frota anti-bloqueio; é o mesmo Biden convencido da necessidade de fragmentar o Iraque.

A lobby israelita no Congresso dos EUA, enfim, é determinante e age em plena harmonia com a inteligência de Tel Aviv firmemente enraizada na “Vale dos Lobos” no Iraque.

Os Turcos, submetidos a uma estratégia da tensão sem precedentes, tenham isso em conta.

Actualização da última hora

A agência Estadão comunica agora, 22 de Junho, que uma bomba explodiu ao longo duma estrada enquanto estava a passar um autocarro que transportava soldados com as próprias famílias em Istambul, bairro de Halkali, matando quatro pessoas, após o exército turco ter intensificado as operações contra os rebeldes curdos.

Fontes: Eurasia, Estadão

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